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CODEPENDÊNCIA AFETIVA



“A codependência é a dificuldade de estabelecer relacionamentos saudáveis com os outros e principalmente consigo mesmo”. Esta problemática é motivo de sofrimento e encontra-se disfarçado nos amores ditos avassaladores. As pessoas que neste quadro se encontram submetem-se a qualquer coisa em nome do outro.

O parceiro torna-se o único motivo para viver. Segundo Riso (2010) “metade das consultas dos especialistas se deve a problemas ocasionados ou relacionados com a dependência patológica interpessoal”.

Assim, pode-se dizer que os problemas no relacionamento afetivos estão cada vez mais presentes nos consultórios de psicólogos e psiquiatras.

O dependente do amor procura a imersão absoluta na relação romântica, seja ela real ou imaginária (Lino, 2009, apud ROCHA; RODRIGUES; OLIVEIRA,2012, p.2).

O termo dependência se refere ao grau que um indivíduo se apoia e confia em outro para a sua existência e, portanto, possui uma referência disfuncional (RODRIGUES, CHALHUB; 2009).

O outro precisa existir para que desta forma, o codependente viva e seja feliz.

A necessidade de controle é central em todos os aspectos da vida do codependente e com isso torna-se obcecado por controlar o comportamento da outra pessoa.

Cada indivíduo codependente apresenta uma experiência diferente e única, originada de sua convivência com as pessoas e de sua personalidade, porém, um ponto incomum aparece em todas as histórias, “a influência dos outros sobre o comportamento do codependente e a maneira como este tenta influenciar os outros”.

Neste processo o desejo do outro é colocado em primeiro plano e torna-se mais importante do que os próprios desejos.

Carvalho e Negreiros (2011) contribuem ao relatar que o codependente tem a percepção de si através da opinião do outro, desta forma ele não é capaz de perceber seus sentimentos, quando estes se referem à própria pessoa. Verifica-se que o que importa para quem está nesse sofrimento é como satisfazer o outro e não como se satisfazer.

O codependente deixa de se escutar, de perceber o que quer em detrimento do outro que ama.

O dependente afetivo só existe através da existência do outro que é razão da sua vida.

Outro aspecto relevante é que o codependente têm hábitos e comportamentos autodestrutivos, que os mantêm presos a relacionamentos não gratificantes e o impedem de encontrar a felicidade na pessoa mais importante na sua vida: ele mesmo. (Carvalho; Negreiros,2011, apud ROCHA; RODRIGUES, OLIVEIRA,2012, p.4) Faur (2012) chama a relação citada acima de vínculo dependente devido às semelhanças que possuem com a dinâmica de outras drogas onde se remete invariavelmente à dependência.

Existem relações tão tóxicas quanto usar uma droga onde existe dor e sofrimento e das quais não se pode sair, apesar do estrago que causam.

O que caracteriza o vício é exatamente o surgimento de uma sensação de dor intensa e difícil de ser controlada que sentimos quando o objeto de dependência nos falta.

Outro aspecto que tem recebido atenção dos estudiosos são os mecanismos neurológicos envolvidos nas relações amorosas.

Observa-se que os sentimentos amorosos utilizam as mesmas vias neurais que substâncias psicoativas, ativando os sistemas de recompensa do cérebro (Fisher, Aron, & Brown, 2005) e criando sintomas de dependência similares.

Portanto, apesar do termo “dependência” ser tradicionalmente ligado ao uso de substâncias ou drogas psicoativas, as dependências de sentimentos (denominação utilizada por Moral e Sirvent, 2009) ou as Dependências de Relacionamentos (denominação proposta por Sirvent, 2000) também merecem ser objeto de pesquisa e intervenção, visto que apresentam etiologia e sintomatologia semelhante à de outras dependências.

Neste sentido, a Dependência de Relacionamentos, segundo Sirvent (2000) seria caracterizada por comportamentos aditivos que teriam como base os relacionamentos interpessoais.

Bornstein e Cecero (2000) propõe que uma relação de dependência pode ser definida por quatro elementos: motivacional, afetivo, comportamental e cognitivo.

O componente motivacional refere-se à necessidade de suporte, orientação e aprovação.

Segundo componente oafetivo, está relacionado à ansiedade sentida pelo indivíduo diante de situações nas quais ele necessita agir independentemente.

O componente comportamental alude à tendência a buscar ajuda de outros e de submissão em interações interpessoais.

E o último componente (cognitivo) remete à percepção do sujeito como impotente e ineficaz. Assim, podem-se classificar as Dependências de Relacionamentos em dois tipos:

  1. as Genuínas, quando apenas uma patologia relacionada à dependência afetiva está envolvida.

  2. as Mediadas, quando o sujeito é adicto ou convive e depende de outro. Dentre as Dependências Genuínas estariam: a Dependência Emocional, a Tendência Dependente, o Apego Ansioso, os Transtornos de Personalidade (entre eles, dependente, limítrofe e antissocial), etc.

Já nas dependências mediadas estariam a codependência e a bidependência. A codependência ocorre quando um indivíduo não adicto estabelece um vínculo patológico e depende de outro sujeito, que por sua vez, é dependente de drogas ou álcool.

Por sua vez, na bidependência, um indivíduo adicto estabelece uma relação dependente com outras pessoas, que podem ou não fazer uso de substâncias psicoativas (Sirvent, 2000;apud BUTION;WECHSLER, 2016,p.79).

Ainda sobre o perfil dos dependentes emocionais, observaram-se comportamentos de submissão ao outro, sinais de fissura e abstinência na ausência do objeto amado, ausência de decisões nos relacionamentos, sentimentos de insatisfação, vazio emocional, medo da solidão, baixa tolerância a frustração, tédio, desejo de autodestruição e sentimentos negativos, falta de consciência sobre seus problemas, sensação de estarem presos ao relacionamento e de que não conseguirão deixá-lo, conflitos de identidade, foco excessivo no outro e autonegligência, assunção de toda a responsabilidade pelos acontecimentos e necessidade de ajudar o parceiro, tentando resolver todos os problemas (Moral & Sirvent, 2009). Sophia et al. (2009) também encontraram que os pacientes diagnosticados com dependência emocional eram mais impulsivos, apresentavam traços de evitação a danos, autotranscedência e possuíam relações mais insatisfatórias, quando comparados com um grupo controle.

Já Bornstein e Cecero (2000) e Rubinstein (2007) observaram a presença de alguns traços de personalidade relacionados à dependência emocional, como neuroticismo e amabilidade.

Texto extraído da apostila “Dependência Emocional”do curso de especialização em Terapia Cognitiva Comportamental – TCC, com adaptação feita pelo psicólogo Jandir Barbosa.

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