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DANOS PROVOCADOS PELA NICOTINA NA VIDA DOS SERES HUMANOS



O termo tabagismo pode ser utilizado para denominar o consumo de qualquer produto derivado do tabaco. O cigarro industrializado é a forma de consumo prevalente em nossa sociedade. Porém, vale ressaltar que o tabaco pode ser usado de diversas maneiras, de acordo com sua forma de apresentação: inalado (cigarro, charuto, cigarro de palha, narguilé); aspirado (rapé); mascado (fumo de rolo). Muitas vezes, os pacientes têm a falsa crença de que outros produtos derivados da folha do tabaco que não cigarros industrializados ofereçam menos riscos à saúde.

O tabagismo é considerado uma pandemia, sendo a maior causa de morte evitável no mundo. Mesmo com o avanço no conhecimento dos malefícios do fumo, ainda hoje um terço da população adulta é fumante, com uma maior concentração nos países em desenvolvimento.

A consequência do consumo dos produtos de tabaco é tão grave que o número de mortes por doenças relacionadas ao tabaco é maior do que os óbitos por HIV, malária, tuberculose, alcoolismo, causas maternas, homicídios e suicídios combinados, sendo responsável por um em cada 10 óbitos de adultos. Se as tendências atuais forem mantidas, o número de mortes atingirá 10 milhões em 2020.

O tabagismo passivo, que é definido pela inalação da fumaça do tabaco por indivíduos não fumantes em ambientes fechados, também está relacionado com o aumento de morbimortalidade entre pessoas expostas a poluição tabágica ambiental (PTA). Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o fumo passivo domiciliar mata no Brasil sete pessoas por dia, aumentando em 30% o risco de pulmão, 24% o risco de infarto do miocárdio e, em crianças, 50% o risco de doenças respiratórias. Implantação de políticas de ambientes 100% livres de fumo é a única forma de proteger as gerações presentes e futuras do adoecimento pela exposição à PTA.

Além do enorme impacto na saúde, o consumo desses produtos também afeta a economia. Uma pesquisa realiza pela FIOCRUZ apontou que os gastos relacionados ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) de 32 doenças das mais relacionadas ao consumo de tabaco ultrapassaram 330 milhões de reais para pacientes com 35 anos ou mais em um ano.

No Brasil, embora a prevalência venha diminuindo nas últimas décadas, apresentando queda acentuada entre 1989 (31,7%) E 2009 (15,5%), o controle do tabaco ainda representa um grande desafio à sociedade. O país ocupa lugar de destaque mundial na produção do tabaco, sendo um dos principais produtores, junto com China, Índia, Estados Unidos, Zimbábue e Indonésia, além de ser o principal exportador da folha do tabaco. Tamanha é a importância na cultura e na sociedade que sua folha está imortalizada no brasão da República Brasileira.

Os principais desafios a serem enfrentados para conter a epidemia no Brasil referem-se ao banimento da propaganda; ao aumento do preço dos cigarros no Brasil; ao controle do mercado ilegal; ao fácil acesso de crianças e adolescentes aos produtos do tabaco; à regulamentação e aplicação da lei que protege a população dos riscos da poluição tabágica ambiental; ao lobby da indústria do tabaco; ao suporte para substituição da fumicultura por culturas economicamente viáveis; ao aumento da experimentação do tabaco entre meninas; e ao fácil acesso ao tratamento do tabagismo.

Quadro clínico

Critério de Tabagista e de Dependência Física à Nicotina: É considerado tabagista o indivíduo que faz uso regularmente de pelo menos um dos produtos do tabaco fumado, independentemente do tempo em que fuma. É considerado dependente de nicotina o tabagista que apresenta três ou mais dos seguintes sintomas nos últimos 12 meses:

a- forte desejo ou compulsão para consumir a substância, no caso, nicotina;

b- dificuldade de controlar o uso da substância (nicotina) em termos de início, término ou nível de consumo;

c- quando o uso da substância (nicotina) cessar ou for reduzido, surgem reações físicas devido ao estado de abstinência fisiológico da droga;

d- necessidade de doses crescentes da substância (nicotina) para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas, evidenciando uma tolerância a substância;

e- abandono progressivo de outros prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância (nicotina), e aumento da quantidade de tempo necessário para seu uso e/ou se recuperar dos seus efeitos;

f- persistência no uso da substância (nicotina), apesar da evidência clara de consequências nocivas à saúde.

Pré-contemplação

“Meu avô é fumante pesado, daqueles inveterados, há mais de 60 anos, e tem uma saúde de ferro”.

“Todo mundo vai morrer um dia, prefiro morrer fumando”.

“Minha saúde é ótima. Pra mim, o cigarro não faz mal”.

Contemplação

“Seria importante deixar de fumar. Minha filha me pede tanto, e também minha saúde já não está muito boa. Mas, ao mesmo tempo, fumar é tão prazeroso e me sinto tão sozinha quando chego em casa á noite”.

Preparação para a ação

“Amanhã vou ao médico pedir um medicamento para me ajudar a ficar sem fumar. Vou também tirar os cinzeiros de casa e trocar os lençóis para ficarem cheirosos no meu dia “D”. já contei para todo mundo que deixou de fumar”.

Ação

“Hoje eu não fumo mais”.

Manutenção

“A cada dia que passa, vou aprendendo a lidar com a falta do cigarro. A vontade de fumar até vem, mas tento me distrair e fazer algo para não ceder”.

Recaída

“Puxa, já estou há tanto tempo sem fumar... Acho que só unzinho não vai fazer mal. Queria ver só qual é o gosto do cigarro. Será que vou gostar, ou ficar enjoado?

Principais hábitos e aspectos psicológicos associados ao fumar:

Fatores comportamentais

Após as refeições

Após o consumo de café

Ao falar ao telefone

Ao ir ao banheiro

Ao dirigir

Antes de iniciar uma nova atividade

Ao término de uma atividade

Antes de dormir

Ao consumir bebida alcoólica


Fatores psicológicos

Estresse

Solidão

Facilitar interações sociais

Preencher vazios internos

Relaxar

Comemorar algo positivo

Tristeza

Estimulação cotidiana

Fonte:

Dependência química: prevenção, tratamento e políticas públicas / Alessandra Diehl... [et al.]. – Porto Alegre: Artmed, 2011.

Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas – Coord. Organização Mundial da Saúde: trad. Dorgival Caetano. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

Por Jandir Barbosa Gonçalves Neuropsicólogo CRP:01/14.617

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