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Síndrome de Asperger



O DSM-IV trouxe marcadores para a Síndrome de Asperger, que apresentam características diagnósticas muito parecidas com o Autismo, dentre elas estão o comprometimento significativo nas habilidades sociais, padrões de comportamento restritos, repetitivos e/ou estereotipados, demonstração de interesse em algo muito específico, como por exemplo, carros, dinossauros, entre outros, e apresentam funcionamento social restrito. Os sintomas dessa síndrome costumam aparecer nos primeiros anos de vida da criança, porém às vezes se confunde com altas habilidades, principalmente se as manifestações são leves, os comportamentos de interesse restrito da criança costumam ser muito reforçados pelos pais e familiares, algo que dificulta o diagnóstico muitas vezes.

Na Síndrome de Asperger há ausência de atraso muito significativo na linguagem, algo que diverge bastante do Autismo, e ausência de atraso do desenvolvimento cognitivo, no geral esses indivíduos apresentam índices satisfatórios de atenção e concentração e fazem extremamente bem coisas do seu interesse, além de demostrarem um QI acima da média. Com relação as habilidades verbais, costumam ter um vocabulário amplo, com uso de palavras que não são usadas usualmente pela população de modo geral. Geralmente, esses indivíduos apresentam muita dificuldade de entender regras. Apresentam dificuldades em se colocar no lugar do outro, habilidade cujo nome é empatia, além de dificuldades em demonstrar afeto. Uma das principais características é a dificuldade em conseguir estabelecer contato visual nas conversas, algo que dificulta muito a interação social.

Para o diagnóstico dessa síndrome não há exame laboratoriais ou de imagem, porém nos testes psicológicos esses indivíduos costumam ter resultados ruins principalmente nos testes de reconhecimento de emoções, pois se prendem ao literal e não há muita flexibilidade quanto a pequenos sinais que não sejam totalmente concretos, por isso demonstram rigidez quanto a regras.

Manuela Borges e Helene Shinohara (2007), descreveram de forma sucinta as características da Síndrome de Asperger como veremos a seguir:

- Atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente da linguagem verbal antes dos 5 anos e, geralmente, com: dificuldades na linguagem, linguagem pedante e rebuscada, ecolalia ou repetição de palavras e/ou frases ouvidas de outros, voz pouco emotiva e sem entonação;

- Interesses restritos: escolhem um assunto de interesse, que pode ser seu único foco de atenção por muito tempo. Costumam apegar-se mais às questões factuais do que ao significado. Casos comuns são o interesse exacerbado por coleções (dinossauros, carros, etc.) e cálculos. A atenção ao assunto escolhido existe em detrimento de assuntos sociais ou cotidianos;

- Presença de habilidades incomuns como cálculos de calendário, memorização de grandes sequências como mapas de cidades, cálculos matemáticos complexos, ouvido musical absoluto, etc;

- Interpretação literal: incapacidade para interpretar mentiras, metáforas, ironias, frases com duplo sentido, etc;

- Dificuldades no uso do olhar, das expressões faciais, dos gestos e dos movimentos corporais como comunicação não verbal;

- Pensamento concreto;

- Dificuldade para entender e expressar emoções;

- Falta de autocensura: costumam falar tudo o que pensam;

- Apego a rotinas e rituais, com dificuldade de adaptação a mudanças e fixação em assuntos específicos;

- Atraso no desenvolvimento motor e frequentes dificuldades na coordenação motora tanto grossa como fina, inclusive na escrita;

- Hipersensibilidade sensorial: sensibilidade exacerbada a determinados ruídos, fascinação por objetos luminosos e com música, atração por determinadas texturas etc.;

- Comportamentos estranhos de auto estimulação;

- Dificuldades em generalizar o aprendizado;

- Dificuldades na organização e planejamento da execução de tarefas.

Como foi possível perceber com o relato acima, as pessoas que têm Síndrome de Asperger apresentam muitas dificuldades na vida cotidiana. Portanto, o acompanhamento com profissionais especializados se faz necessário, principalmente para estimular o desenvolvimento das habilidades que eles mais apresentam dificuldades.


Sarah Gomes, psicóloga, CRP 01/21512

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